segunda-feira, 15 de março de 2010

Energia Renovável na Polónia - Caso EDPR

Em finais de 2007, a EDP Renováveis entrou no mercado da energia eólica na Polónia. Para ser mais concreto, foi a EDP (através da Neo Energia) que adquiriu a empresa polaca Relax Wind Parks detentora de 1022 MW de portfolio bruto por 54 ME. Só em 2008 é que ocorreu o spin-off. Em todo o caso, na Polónia a subsidiária chama-se Neolica Polska.
A EDP entrou na Polónia logo pela compra de uma empresa que já tinha pelo menos um parque prestes a ser construido. Foi pois em 2009 que entrou em funcionamento o parque de Margonin (fica uns 120km a norte de Poznań) com uma capacidade de 120MW e que faz parte de um parque planeado que quando finalizado terá 240MW. E com 120MW é o parque de maior dimensão na Polónia, sendo que o segundo tem praticamente metade da dimensão, estando assim de acordo com o objectivo da EDP Renováveis de ser o líder na Polónia. Convém referir que a potência eólica instalada na Polónia é de 725MW (tendo duplicado sempre entre os anos 2005 e 2008), em Portugal são 3535MW e na Alemanha (que em termos de condições de vento é muito similar à Polónia) são 25100MW.
É pois um mercado com uma capacidade instalada diminuta, e em que o principal óbice a um maior crescimento nem é tanto a burocracia (que é grande e chata), mas sim as fracas condições da rede eléctrica. A zona com melhores condições de vento situa-se na plana faixa de costa entre Gdańsk e Szczecin, e de facto foi onde surgiram a maioria dos primeiros parques de média dimensão pois aqui é relativamente fácil encontrar ventos de 7 ou 8m/s. Mas uma vez que é uma zona com pouca população, a rede eléctrica é fraca, o que dificulta/impossibilita mais ligações. Na Polónia, zonas elevadas só no sul, e o vento é demasiado inconstante, por isso ao contrário de Portugal, as torres estão sempre em planícies.
Além do mais, as zonas com melhor vento ficam quase invariavelmente em zonas de protecção natural, e ainda se mantém aquele mito de que as pás das torres são uma muito prejudiciais para as aves. Tendo em conta que centrais eléctricas a carvão são mais que muitas na Polónia, é curioso que se ponham tantos obstáculos ambientais à energia eólica.
(Baseado no artigo original colocado em www.divinapolonia.blogspot.com em 28.2.10)